Assim, sem mais nem menos, fiquei a saber que sou um dos mais temidos e importantes dealers do narcotráfico da Universidade do Porto!
A história é a do costume: um aluno mete os papeis para a bolsa de estudo para o ano 2010/2011 e alguns documentos estão em falta. Como o sistema é ineficiente e ineficaz, os avisos para a falta de documentos só chegam (via e-mail) depois de alguns prazos caducados e quando faltam 10 dias para o envio de uns outros documentos. Esse aluno trata das coisas, perde um dia de aulas e vai até ao SASUP tratar da entrega dos mesmos, em falta.
“Desculpe, mas não posso aceitar isto!” – “Oi?!”;
“Nem isto!!!” – “Como?!”;
“Ups, isto também não dá, já expirou o prazo…” – “Mas e então…” – “Pois, expirou.”
Foi mais ou menos isto que tive que ouvir ontem quando fui atendido no balcão 13. Ao que parece, na Universidade do Porto, é norma as coisas passarem-se assim. O ano passado foram os atrasos na divulgação dos resultados das bolsas, foram os erros ocorridos no processo, os alunos que andaram praticamente 1 ano sem verem um tostão do dinheiro a que tinham direito e, este ano, para evitar isso mesmo, decidem pedir documentos que eu não preciso.
Por favor, há aí alguém suficientemente iluminado que me explique o significado de “crónica”? Não! Esperem… “Doença crónica”?
Segundo a OMS são:
“Doenças que têm uma ou mais das seguintes características: são permanentes, produzem incapacidade/deficiências residuais, são causadas por alterações patológicas irreversíveis, exigem uma formação especial do doente para a reabilitação, ou podem exigir longos períodos de supervisão, observação ou cuidados.”
“Permanentes”?! Really?! Tipo, para toda a vida? Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa:
permanente
constante, contínuo, duradouro, durável, eterno, fixo, inalterado, incessante, marcado, perpétuo
O que aconteceu foi que cheguei lá com um monte de despesas de farmácia, devido ao meu pai ser doente crónico (portanto, para todo o sempre. É tão crónico agora como quando estiver morto), mas não as aceitaram!!! Precisa de um atestado médico a comprovar o facto, o mesmo atestado entregue em 2008 e 2009!
Portanto, o meu pai anda a aviar receitas médicas com participação do estado para as vender nas favelas e na Amadora ao dobro do preço. É a única explicação para o homem precisar todos os meses daquilo, uma vez que, sem que ele mesmo o saiba, deixou de ser crónico.
Depois disso ainda tentei explicar à menina a definição de crónico mas acho que ela julgou que eu estava a ser arrogante e irónico e mandou-me voltar amanhã (hoje) com a declaração ou nada feito. Então tinha o meu pai que perder um dia de trabalho para que lhe passassem um documento que deveria ser válido para toda a vida e que já entregou durante dois anos seguidos.
Só mesmo por cá, foda-se…

Se podia fazer dinheiro com o Blog? Poder podia, mas não era a mesma coisa…
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